DEPRESSÃO PÓS PARTO

A incidência talvez seja maior do que se imagina. Além de causar sofrimento para a mulher, a tristeza que surge e persiste após a chegada do bebê pode prejudicar o desenvolvimento infantil.  Durante a gestação, mudanças de comportamentos, tipo tristeza persistente que incomoda e dificulta as tarefas diárias, recusa alimentar ou optar por alimentos não convencionais dentro da sua cultura, ganho ou perda excessivo de peso, pensamentos persistentes quanto a incapacidade da função materna, são alguns dos sinais que podem estar presentes dentro do contexto da depressão…  mas é comum, os familiares que convivem com estas gestantes acharem que estes tipos de comportamentos são inerentes a gravides, o que não é correto.

Abaixo citações importantes sobre esta doença:

Organização Mundial da Saúde (OMS) – Uma em cada cinco mulheres tem depressão pós-parto nos países de baixa renda;

Associação Americana de Psiquiatria (AAP) – Esse número pode ser bem maior inclusive nos países ricos. 82 mil mães recentes que responderam ao questionário especifico de pré-disposição à depressão pós-parto, relataram sintomas de depressão até um ano após o nascimento do bebê;

Estudo na Universidade de Oxford e divulgado no jornal científico JAMA – Filhos de mulheres com depressão pós-parto grave e persistente têm o dobro de chances de apresentar distúrbios comportamentais em torno dos 3 anos e vir a desenvolver depressão por volta dos 18.

Estudo divulgado no American Journal of Psychiatry –  Cientistas estudaram 3469 pares de mães e filhos e mediram o cérebro das crianças aos 10 anos por ressonância magnética. Concluíram que a exposição à depressão materna nos primeiros meses de vida pode afetar o desenvolvimento desse órgão vital e predispor a criança a problemas de atenção e outros déficits cognitivos.

Casos de moderados e graves requerem psicoterapia e antidepressivos.  Há medicamentos seguros para uso durante o período de amamentação. Mas para isso é preciso passar por uma avaliação médica criteriosa…

A conclusão é que é preciso investigar o quadro por um período mais extenso, antes de a mulher dar à luz até 12 meses depois do parto.

Procure ajuda. Prevenção da Saúde Mental. Quanto antes o diagnóstico, a possibilidade de sucesso é maior.

Dra. Ingrid B Fornaciari

Psiquiatra

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